Esquema de milhões: CGU e PF combatem fraudes em hospitais no MS

De acordo com as investigações, o esquema fraudava licitações causando sobrepreço nos produtos adquiridos.

Por Redação 28/01/2018 - 00:37 hs
Foto: Reprodução
Esquema de milhões: CGU e PF combatem fraudes em hospitais no MS
Viaturas da PF foram vistas na sede do Hospital da Cassems

O Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU) participa da Operação Again no Mato Grosso do Sul. A ação, deflagrada em parceria com a Polícia Federal (PF), visa desarticular organização criminosa responsável por fraudes a licitações e desvios de recursos públicos no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) e no Hospital Regional, ambos na capital Campo Grande. A Polícia Federal esteve ainda na sese do Hospital da CASSEMS.

A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul) teria afastado um médico cardiologista, investigado por suposta participação em esquema de fraude em licitações da rede pública de saúde. 

De acordo com as investigações, o esquema fraudava licitações causando sobrepreço nos produtos adquiridos. A apuração constatou ainda o recebimento de produtos com prazo de validade e qualidade inferiores ao previsto nos contratos. Além disso, há indícios de que os integrantes da organização criminosa desviavam os materiais hospitalares - comprados com a finalidade pública de atender à população - para serem utilizados em clínicas particulares.

A organização criminosa também é investigada por tentar dificultar as fiscalizações da CGU. Até o momento, os desvios ocasionaram um prejuízo de aproximadamente R$ 3,2 milhões, num universo de R$ 6 milhões em contratos analisados.

O esquema contava com o envolvimento de servidores públicos que recebiam vantagens ilícitas das empresas envolvidas nas fraudes a licitações, com ênfase no setor de hemodinâmica (método diagnóstico e terapêutico que usa técnicas invasivas, como o cateterismo, para obtenção de dados acerca de cardiopatias). As propinas pagas eram dissimuladas de diversas formas, tais como pagamentos de viagens e transferências de veículos de alto valor.

Estão sendo cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Belém (PA), com a participação de aproximadamente 100 policiais federais e 16 auditores da CGU. Dos investigados, dois tiveram decretada medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica. A operação recebeu o nome de “Again” em alusão ao fato de se tratar de esquema semelhante ao desarticulado pela Operação Sangue Frio, em março de 2013, dessa vez com novos integrantes.

O superintendente da CGU (Controladoria Geral da União) José Paulo Barbieri disse em coletiva que “Sistema frágil de controle do estoque dos hospitais favorecia a ação criminosa”. A investigação teve início em 2016.