Retomada da economia é possível, diz CNC

O governo tem condições de melhorar, no médio prazo, a condição econômica do País – o pior já passou.

Por Kamila Silva 27/05/2016 - 11:49 hs
Foto: Assessoria

O governo tem condições de melhorar, no médio prazo, a condição econômica do País – o pior já passou. Esta é a opinião de Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), exposta durante sua participação no último dia de atividades do 32º Congresso Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, na Vila Germânica, realizado pelo Sindilojas Blumenau de 25 a 27 de maio, em Blumenau (SC).

Dirigentes dos sindicatos patronais representados pela Fecomércio-MS e gestores da Federação, participam do evento que tem o objetivo de alinhar a estratégia de atuação dos sindicalistas junto aos empresários, a fim de fortalecer as representações sindicais. Para o presidente do Sistema Fecomércio MS, Edison Araújo, é uma oportunidade de trazer à tona as discussões que são comuns ao empresário e, juntos, reivindicar melhores condições de continuar a produção, essencial para a economia do País. “Flexibilização das normas trabalhistas, redução de impostos… Há temas que são inerentes a todos os Estados e podemos trabalhar para encontrar propostas em comum”, afirma Edison.

Palestra

Para Thadeu, em linhas gerais, o plano econômico do governo é bom. “É preciso separar o joio do trigo, e é importante traçar cenários independentes da questão política, já que a Economia é pautada pela racionalidade”, afirmou o economista, que é ex-diretor do Banco Central. Para ele, a grande preocupação de hoje é o crescimento da dívida pública. Ela pode arrefecer, em paralelo à contenção dos gastos públicos. Ao responder às perguntas dos congressistas, complementou: “a reforma previdenciária é mais que oportuna e ajudaria também na diminuição da dívida”. “O desafio imediato é ter uma âncora fiscal para restabelecer uma trajetória sustentável para a dívida pública”, afirmou.

O chefe da Divisão Econômica da CNC destacou também que, na área externa, não há déficit em conta corrente e, com isso, o Brasil dá sinais favoráveis para o futuro próximo. “O dólar já esteve em patamares muito altos, e essa elevação fez com que o País importasse menos. Vai demorar um pouco para retomar a credibilidade junto aos agentes econômicos, mas o Brasil é credor líquido em dólares. E estamos recebendo US$ 6,5 bilhões em investimentos. O Brasil ficou barato”, destacou.

Para o comércio brasileiro, o dinheiro precisa voltar a circular. No entanto, segundo Carlos Thadeu, fatores restritivos como o desemprego e o recuo da oferta de crédito ainda impactam o setor. “A inflação caindo é um bom sinal, mas ainda impacta o bolso do consumidor”, disse. De acordo com Thadeu, se o governo conseguir passar no Congresso Nacional o mínimo do que anunciou, o investimento privado volta, e o desemprego pode começar a diminuir, fomentando o consumo.